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A construção do futuro de cidades mais humanas

*Por Marcella Arruda


Vive-se na contemporaneidade um desejo por um modo de viver conectado, que permita o acesso a bens de consumo e fluxos de informação. São muitas as razões que motivam as pessoas a viverem na cidade, porém, a possibilidade de encontro e troca são fatores que impulsionaram a criação das cidades. No entanto, qual o custo para o planeta deste padrão de consumo e do impacto de tamanha concentração de pessoas?


O modelo urbanístico que vem sendo aplicado possibilita maior acesso, no entanto, reproduz uma lógica de exclusão, segregação e exaustão dos recursos naturais. Considerando que a população que vive em áreas urbanas vai atingir os 2,5 mil milhões de pessoas em todo o mundo em 2050, representando 68% da população mundial (segundo relatório divulgado pelas Nações Unidas), como a concentração de pessoas pode ajudar a minimizar o impacto ambiental no planeta e criar sociedades mais justas e igualitárias? Neste momento de transição, é urgente a responsabilização pela forma como habitamos o planeta e o impacto disso.


CCO/Pixababy

Diante da necessidade do envolvimento de todos os setores e atores para a criação de outros futuros possíveis, a CBIC criou o programa O Futuro da Minha Cidade, que já passou por mais de 30 cidades no Brasil propondo um movimento de empoderamento da sociedade civil na imaginação e proposição de outros futuros para suas cidades. Como projetar políticas e práticas que criem um futuro melhor para o ser humano e para o planeta?


Para que se possa propor outros futuros, é fundamental compreender as megatendências globais. O aumento nas áreas urbanas, devido ao crescimento populacional e deslocamento das áreas rurais para as cidades, trará desafios ainda maiores em termos de habitação, produção de energia e alimento, manejo das águas e gestão dos resíduos. Além disso, as mudanças climáticas colocam um cenário de crise. Para enfrentar tais desafios, é fundamental mudar o modelo mental no qual se opera – entendendo as relações a partir da ótica sistêmica, da complexidade, das inteligências coletivas e tecnologias sociais -, desenvolver soluções inovadoras que sejam acessíveis e possam ser democratizadas.


Os eventos de sensibilização do Futuro da Minha Cidade são um primeiro convite à lideranças locais, para que possam abrir o olhar para reconhecer o que deve ser transformado na forma como habitamos as cidades e qual seu papel nessa transformação. Além de serem apresentadas outras lógicas que podem inspirar o urbanismo na contemporaneidade, a palestra inicial instiga a participação das pessoas nessa transição a partir de iniciativas cidadãs relacionadas ao cuidado compartilhado e infra-estruturas sociais (educação, saúde…), mobilidade ativa e limpa, produção de alimento, compostagem do resíduo orgânico, sistemas ecológicos de tratamento de águas cinzas e marrons, produção de energia limpa, soluções de eficiência energética para edifícios, permeabilidade do solo e naturalização dos rios urbanos.


Interessados se organizam então em um Conselho de Desenvolvimento Sustentável para pensar a vocação da sua cidade e então desenhar ações estratégicas e programas para melhoria da cidade em 20 anos – criando assim um modelo de continuidade política das gestões públicas que vem da própria sociedade civil. Reunindo universidades, setor produtivo, cidadãos engajados e movimentos, O Futuro da Minha Cidade é um convite para que cada um de nós se responsabilize e ajude a construir a cidade que queremos viver no futuro.


*Marcella Arruda é arquiteta e responsável pelo projeto O Futuro da Minha Cidade.


Fonte: CDIC

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