MERCADO IMOBILIÁRIO DEBATE REAJUSTE DOS FINANCIAMENTOS À PRODUÇÃO


Foto: Divulgação/CBIC


No último dia 25, a Comissão da Indústria Imobiliária (CII) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) promoveu virtualmente uma Rodada de Negócios do mercado imobiliário, bem como tratou de questões relacionadas à possibilidade de reajuste dos financiamentos ao Apoio à Produção - coparticipação financeira da Caixa durante a fase construtiva - para amenizar os expressivos aumentos dos insumos da construção. O sócio da Brain Inteligência Corporativa, Fábio Tadeu Araújo, apresentou dados sobre o mercado de financiamento imobiliário do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) até abril de 2021. No acumulado de 12 meses, de maio de 2020 a abril de 2021, o montante financiado somou R$ 156,94 bilhões, alta de 85,6% em relação ao período anterior. O volume de imóveis financiados pelo SBPE foi de 582 mil unidades, resultado 84% superior ao período anterior, quando o crédito abrangeu 316 mil unidades. “Foi um recorde histórico”, destacou.


Já nos quatro primeiros meses de 2021, o montante financiado pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) foi de R$ 59,91 bilhões, aumento de 122,3% em relação ao mesmo período do ano passado, com o financiamento de 258 mil unidades, resultado 151,8% superior a igual período do ano passado.


Sobre os financiamentos com recursos do FGTS, que têm sido em média de R$ 52 bilhões ano, nos últimos 12 meses, os financiamentos viabilizaram 373,2 mil imóveis, queda de 12,4% na contratação em relação aos 12 meses anteriores (426,3 mil unidades).


O presidente da Comissão de Habitação de Interesse Social (CHIS) da CBIC, Carlos Henrique de Oliveira Passos, destacou que “a queda na contratação do FGTS é real”, informando que a entidade está tratando o assunto junto ao Ministério da Economia para rever limites – aumento dos limites máximos da antiga faixa 1,5 e do programa como um todo.


INTENÇÃO DE COMPRA AO LONGO DA CRISE

Segundo levantamento realizado pela Brain, de 10 a 19 de maio, com base em 1.367 entrevistas, sobre demanda por imóveis, 42% das famílias ainda buscam a compra de um imóvel, apesar da segunda onda da pandemia. Antes da crise sanitária, esse interesse era de 43%. O estudo indica que, de novembro de 2020 a maio de 2021, foi crescente a intenção de compra da faixa de renda acima de R$ 15 mil.


Para Fábio Tadeu, a questão central desse movimento foi a necessidade de melhorar a qualidade de vida, não necessariamente o home office. “Não existe uma ideia do que é um imóvel ideal pós-pandemia, mas a busca de todos por ter melhor qualidade de vida”, disse. Além disso, “a pandemia acelerou as negociações, visitações e assinaturas de contratos”.


RODADA DE MERCADO

Representantes de São Paulo (SP), Recife (PE), Volta Redonda (RJ), Goiânia (GO), Salvador (BA), Belo Horizonte (MG) e Campina Grande (PB) demonstraram que o mercado se mostrou melhor nos primeiros cinco meses de 2021, se comparado ao mesmo período de 2020, na primeira onda da pandemia da Covid-19.


Foram apontados problemas com o Casa Verde e Amarela, como a aprovação de projetos. Quanto ao mercado de médio e alto-padrão, uma das preocupações levantadas foi com a questão da redução da renda e o aumento dos preços dos materiais de construção.


REAJUSTE DOS FINANCIAMENTOS À PRODUÇÃO

Sobre o aumento dos insumos e seu reflexo nos empreendimentos e empresas do setor, o presidente da CII/CBIC, Celso Petrucci, informou que a entidade já se manifestou oficialmente junto à Secretaria Nacional de Habitação do Ministério do Desenvolvimento Regional.


Em documento, a CBIC alertou o governo sobre a questão do desequilíbrio dos contratos da faixa 1 (Minha Casa, Minha Vida) e possíveis problemas como: paralisação das obras, inadimplência dos contratos, quebra das empresas e desemprego.


Os participantes debateram a possibilidade de reajuste e formas de amenizar as consequências do expressivo aumento dos insumos para empreendimentos com recursos do FGTS e dos contratos do Plano Empresarial e do Apoio à Produção.


Petrucci também informou que a CII/CBIC continua acompanhando o processo das Centrais de Recebíveis junto ao Banco Central. A previsão é de que até o final de 2022 o setor tenha três centrais à disposição. Citou ainda o trabalho dos Vícios Construtivos. A próxima reunião da Comissão será em agosto.


Fonte: CBIC