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SC: REDUÇÃO DA JORNADA AUMENTARIA CUSTO DO TRABALHO EM 11,4%

  • há 7 dias
  • 2 min de leitura

A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) estima que 41,4 mil vagas de trabalho seriam perdidas nos próximos dois anos com a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais sem redução salarial no estado. Destes, 19,1 mil postos de trabalho seriam extintos somente na indústria catarinense, reflexo de um incremento de 11,4% nos custos do trabalho. O estudo foi entregue pela Federação à bancada catarinense em 24 de fevereiro.


“A perda de competitividade da indústria de SC nos mercados internacionais e a redução no nível de atividade econômica vão impactar especialmente os setores intensivos em mão de obra e que são mais sensíveis a preços tanto no exterior como no Brasil”, explica o presidente da FIESC, Gilberto Seleme. “Por isso, esse encontro do setor produtivo com os parlamentares é tão importante. A discussão sobre a redução da jornada de trabalho não pode ser feita de maneira apressada, pois as consequências são de grande relevância”, acrescenta.


Os setores de alimentos e madeira são exemplos de indústrias que seriam fortemente impactadas. “São grandes empregadoras e exportam boa parte de sua produção, enfrentando concorrência pesada no exterior. Por isso, são sensíveis a preços e contam com pouco espaço para absorver aumentos de custos como os que seriam provocados pela redução da jornada sem redução de salários”, diz Seleme.

O estudo mostra o efeito negativo para diversas cadeias produtivas importantes para a pauta de exportações de SC e projeta uma queda de 1,07% nas exportações do estado, com destaque para carne de aves (-3,3%) e carne suína (-3,1%), além de recuo de 2,6% nas vendas externas de madeira bruta e de 2,4% nas de produtos de madeira.


Competitividade ameaçada

O documento também sinaliza que o PIB do estado teria um recuo de 0,6% nos próximos dois anos. A projeção aponta que o PIB da indústria cairia 1,15% no período, com a região Oeste liderando as perdas (-1,39%), Serra (-0,87%), Norte (-0,79%), Sul (-0,77%), Vale do Itajaí (-0,65%) e Grande Florianópolis (-0,28%). Esse resultado reflete não só o recuo nas vendas do estado ao exterior, mas também a perda de competitividade no mercado doméstico, com potencial aumento de importações.


“A participação de importados no mercado brasileiro passou de 13,4% em 2003 para 25% em 2023. Grande parte desses produtos vem de países com jornadas semanais superiores às do Brasil. Reduzir a jornada aqui sem ampliar a produtividade tende a resultar em menor produção e preços mais altos, ampliando ainda mais a perda de competitividade do produto brasileiro”, analisa o economista-chefe da Federação, Pablo Bittencourt, que coordenou a produção do estudo.


Embora esse aumento de custos possa refletir em salários maiores - aumentando o consumo -, esse incremento não seria suficiente para compensar a perda de competitividade. Isso porque a FIESC estima um aumento médio de preços em SC de 2,64%, com setores mais intensivos em mão de obra, como a construção civil, apresentando aumento de 4,26%, já que a participação do custo do trabalho no custo total da atividade é de 29,4%. Outros destaques são alimentos (+3,6%) e vestuário (+3,57%), com impacto direto no consumo das famílias. De acordo com Seleme, outro efeito colateral, com reflexos sobre o emprego, poderia ser a substituição dos postos de trabalho por sistemas automatizados, sobretudo na indústria.


Fonte: Imprensa FIESC

 
 
 

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